sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Publicações

Vicência Jaguaribe publica pela Editora Protexto (Curitiba) um livro de poemas infantis, intitulado Brincando no ritmo da poesia. A obra reúne 33 poemas que misturam a realidade atual com as recordações de tempos idos. A autora revisita a fábula A Cigarra e a Formiga; brinca com os sons e o ritmo em A menina na roda; leva as crianças a penetrar Na terra do faz-de-conta; conta a história do galo Faraó, em Cacaricócócócócócó!!! ; solta Os meninos na chuva e liberta o pássaro prisioneiro, em O passarinho foi embora:

         O livro é bem ilustrado, diverte e sensibiliza. Preço: R$30,00.
         Contato com a autora: vmjaguaribe@netbandalarga.com.br





Ancoragem em porto aberto é um livro de contos (adultos), da contista Vicência Jaguaribe, publicado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores. São 36 pequenas narrativas que resgatam lembranças e histórias ouvidas, fatos dos tempos passados e dos tempos atuais. Mas a invenção recobre o espectro do real, de modo que os contos, como toda obra de ficção, não podem ser tomados como a representação do real empírico. O título do livro remete à ideia de que a vida não é um porto seguro, e viver implica ficar à mercê das intempéries — dos ventos e das marés. Afinal, a vida é a protagonista subjacente a todas as histórias.

                Preço: R$25,00.
         Contato com a autora: vmjaguaribe@netbandalarga.com.br


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Amigos, estou publicando, pela editora IMEPH, dois livros de conto infantil: Carolina Trovão, seu colar de corais e o raiozinho de sol e A dança dos pirilampos, cada um no valor de R$25,00. Quem se interessar entre em contato comigo (3272 6759 / 9992 6548).

domingo, 4 de abril de 2010

Enquete ou algo parecido

Abaixo estão dois poemas que falam de amor, em perspectivas opostas. Qual você prefere. Dê sua opinião.
Clique em comentário e diga algo. Se, depois de abrir o comentário, tiver dificuldade com a conta, clique em anônimo e depois assine.


(Vicência Jaguaribe)








  

Poema-de-Amor


(Vicência Jaguaribe)



Relutei em fazer um poema de amor.
Escapou-me o tom e atropelei o ritmo.
As palavras se esconderam encabuladas
E a sintaxe embaralhou-se escandalizada.

Mas desdobrava-se um dia tão bonito!
– Um mar azul encontrando o infinito
Pássaros desafiando o pequeno espaço verde
Crianças conquistando os últimos recantos livres –
Que resolvi, se preciso, desafiar a morte.

As lembranças, lá, arrumadinhas nas gavetas.
Nas prateleiras, o aroma e o humor da juventude.
No cofre, a sete chaves, as últimas palavras ouvidas.
Os últimos beijos e as últimas carícias trocados.
As últimas cartas recebidas. Sim, palavras de amor.
Cartas de amor, ridículas, sim, pois
(Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.)

Foi só dispor o material em cima da mesa.
Sem muito esforço, recuperei o tom e o ritmo
Encontrei as palavras antes escondidas
Consegui, sem custo, descontrair a sintaxe.
De repente, olhei para o monitor. Vi o poema lá,
Adquirindo vida, a fazer-se quase sozinho.
Minutos depois, eis o poema de amor.
Ridículo. Sim.
Pois não seria poema de amor se não fosse
Ridículo.



As rimas do amor


(Vicência Jaguaribe)


Quis fazer um poema de amor.
Inútil tentativa, esforço vão.
As palavras escorregaram da página virtual
E, com a ironia habitual, olharam-me do chão.

Recolhi as palavras esparramadas.
Tentei fazer um poema de forma fixa.
Rimei, então, amor com flor.
Ouvi uma risadinha safada.
Riso de quem critica a ingenuidade
E a ignorância dos percalços da vida.

Então, rimei amor com dor.
A risadinha safada mudou de tom:
- Não dá para ser mais original?

Para falar de amor convém saber que o amor
– que nem sempre merece loas –
Rima não com palavras, mas com pessoas.
E, como todas as rimas, as do amor
Podem ser perfeitas ou imperfeitas.

Bom ter em mente – chocante embora –
Que as do amor são, em geral, imperfeitas.
E, para usá-las, paga-se juro de mora.
Raramente o amor, ipso facto,
Rimas perfeitas encontra.
O amor se realiza mesmo é na 25ª hora.


sábado, 3 de abril de 2010

FELIZ PÁSCOA!


O olhar da fé

           (Vicência Jaguaribe)


No meio do oceano, o barco à deriva.
Costa invisível. Nenhum barco à vista.
Um olhar mais atento e eis que se realiza
O milagre – ele andou sobre as águas
E guiou o barco até a praia.

quarta-feira, 10 de março de 2010

     

        Mãe Miriam

  (Vicência Jaguaribe)

Mãe, da vida saíste sutil
Como nela entraste.
Sem estardalhaço
Como por ela passaste.
Sem grandes e vistosas
Atitudes que te dessem
Um lugar no pavilhão
Dos mártires ou dos heróis.
O teu fazer foi miúdo
Como os grãos de areia
E sutil como a folha que cai
Para dar lugar a outra chegante.

(Ninguém a ti atribuiu
O vestido que velou
A nudez da mulher
O lençol que agasalhou
O velho paralítico
As moedas que compraram
O remédio de quem morria
E o leite de quem nascia.)

Por esse teu deslizar pela vida,
Mãe, eu te saúdo com o respeito
Com que o anjo Gabriel, um dia,
Saudou uma outra Mãe,
Também Miriam,
Em uma outra época
Em um outro lugar.

Por esse teu resvalar por nossas vidas,
Mãe, eu me curvo à tua lembrança,
Como um dia,
Num tempo muito distante,
Isabel curvou-se a uma outra
Mãe, a uma outra Miriam,
Mãe Miriam.